Rio na vanguarda – Artigo de Rafael Picciani

Rio na vanguarda – Artigo de Rafael Picciani

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O Rio de Janeiro mais uma vez saiu na frente e deu exemplo. Podemos bater no peito e comemorar a boa notícia de que acaba de chegar ao Brasil o primeiro lote com quatro milhões de doses da vacina contra o HPV (sigla em inglês para o Vírus do Papiloma Humano), principal causa de câncer de útero. Antes disponível apenas na rede privada, a um custo inviável para a maioria das famílias (clínicas particulares cobravam até R$ 1.200 pelas três doses necessárias), agora a vacina será disponibilizada gratuitamente na rede pública e postos de todo o país.

Para se ter uma ideia do que isso representa, basta lembrar que o câncer de útero vitima anualmente cerca de 18 mil brasileiras, segundo dados do Ministério da Saúde. No Rio, deverão ser imunizados sete milhões de crianças e jovens a partir dos 10 anos. O HPV é transmitido principalmente por contato sexual e atinge cerca de 630 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Nem todos, entretanto, manifestam sintomas das doenças, mas são transmissores em potencial.

E por que o Rio deve se orgulhar disso? Porque fomos o primeiro estado ater a ousadia de aprovar uma lei — cuja autoria divido com meu colega deputado Bernardo Rossi — garantindo a gratuidade da vacina na rede pública. Apesar do impacto financeiro que ela geraria no Orçamento da Saúde, ela foi prontamente sancionada pelo governador Sérgio Cabral, em outubro de 2011.0 Rio saiu na frente, e o Brasil, meses depois, veio junto. E isso é realmente muito bom. O acesso gratuito à vacinação contra o HPV vai salvar centenas de vidas e poupar milhares de mulheres do sofrimento do tratamento da doença. Junto com os exames preventivos e campanhas educativas, este é o caminho da saúde pública — atuando, sobretudo, na prevenção.

É fato que todas as pessoas, sejam elas ricas ou pobres, estão sujeitas a doenças. Porque doença não escolhe cor, credo, raça nem classe social. Mas é inegável que os menos favorecidos dependem muito mais da ação do poder público do que as classes privilegiadas — seja na Saúde, na Educação ou no acesso ao saneamento, para citar apenas três áreas essenciais.

Políticas públicas sérias devem ter como referência muito mais o benefício gerado do que o impacto financeiro da medida. Vidas humanas não podem ser mensuradas nem encaradas como custo, mas como investimento. Foi isso o que norteou a lei, a sua aprovação, a sua sanção e, agora, felizmente, podemos comemorar a sua universalização.

 

Artigo do deputado estadual e secretário de Estado de Habitação Rafael Picciani publicado no jornal O Dia de 27/01/2014.