Pela continuidade das UPPs

Pela continuidade das UPPs

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Sem apostar e acreditar na polícia pacificadora, o Estado do Rio só terá como norte a lógica da guerra, do enfrentamento. Estaríamos então entregues à própria sorte

A decisão de deslocar 3 mil policiais militares das comunidades beneficia a quem? Diante do tamanho do efetivo de cerca de 40 mil homens, o remanejamento dos PMs não deve chegar a ser sentido no asfalto e, por outro lado, vai contribuir para explodir a criminalidade e o aumento da violência nas comunidades. Nas UPPs, a redução representa um terço do total do efetivo, que hoje é de 9.500 homens.

Aos poucos, o programa vai sendo minado. Ao subordinar as UPPs aos batalhões, o projeto perde o sentido. A lógica da polícia de proximidade, que aposta na ocupação do território, acaba sendo substituída pelo enfrentamento e repressão.

As ações não têm se mostrado efetivas e só têm levado para as comunidades privação e mortes. É claro que o projeto precisa de uma reformulação, de melhorias, mas não pode haver retrocesso. Estudo apresentado esta semana pela Universidade Cândido Mendes aponta que 60% querem a permanência da UPP, mas pedem mudanças.

O Rio só ganhou com a implantação das UPPs, seja na melhoria dos indicadores de violência no asfalto e na favela, na valorização imobiliária, ou no acesso aos serviços básicos, só pra citar uns exemplos. Em 2013, no auge do programa, foi registrada uma redução de 26,5% no número de homicídios nas 30 áreas de UPP em relação ao ano de 2012. Em comunidades como o Santa Marta, foram quatro anos sem assassinatos.

Com mais segurança, a cidade também viveu uma valorização imobiliária média de 15% das áreas próximas a UPPs, como revelaram os jornais na época. Infelizmente os índices hoje já não são mais favoráveis, resultado também da profunda crise financeira do estado, que aos poucos foi diminuindo o poder de ação da polícia pacificadora.

O governo não pode ceder às pressões internas da corporação, que vem sofrendo com interrupção dos investimentos na estrutura do projeto, nem tampouco a criminologistas de plantão, que desconhecem a realidade das comunidades.

Sem apostar e acreditar na polícia pacificadora, o Estado do Rio só terá como norte a lógica da guerra, do enfrentamento. Estaríamos então entregues à própria sorte.

Espero que o governador reveja esta decisão.