O eleitor foi implacável, e o recado foi dado com o crescente desinteresse em votar

O eleitor foi implacável, e o recado foi dado com o crescente desinteresse em votar

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Em vários momentos somos confrontados por fatos que nos remetem a tomada de decisões. É nesses momentos que somos testados com relação a nossa capacidade de admitir erros e de mudar de rumo. Se não o fazemos, e nossa decisão nos leva a perdas pelo fato de não cedermos ao excesso de confiança que nos leva a arrogância, pagamos o preço da nossa teimosia.

No campo político se constata que a recusa em aceitar evidências que revelam a falência do atual sistema político e eleitoral tem levado a nossa Democracia Representativa a descer ladeira abaixo. Este sintoma ficou claro diante da rejeição a classe política traduzida nos autos índices de abstenções, votos nulos e votos em branco.

Ao termino das eleições municipais de 2016, como vinha sinalizando, a sociedade confirmou que esta contra o sistema político-partidário em razão do elevado índice de abstenções, ou seja, o “não voto”.

Os eleitores promoveram uma derrota fragorosa à prática do coronelismo político, onde poucos “líderes partidários” escaparam da humilhação eleitoral em razão de apostarem em métodos ultrapassados.

A ineficiência administrativa e, sobretudo o crescimento da corrupção nos últimos anos, evidenciado principalmente pela operação Lava-Jato, fez com que o eleitor fosse implacável com o PT, que perdeu 60% das prefeituras conquistadas na eleição de 2012, e entre as capitais vencendo tão somente em Boa Vista, capital do estado do Acre. O PMDB foi outro partido que embora tenha se mantido a nível nacional como o partido com maior número de prefeituras, perdeu força eleitoral em importantes cidades, com destaque para o Rio de Janeiro.

Esta eleição evidência o abismo político entre a sociedade e a classe política, atingindo profundamente as instituições partidárias, implodindo os pilares dos grandes partidos, e confirmou, através do alto índice de abstenções, votos nulos e brancos, o desencanto da população com os rumos que a política tomou. É inegável a exaustão do atual modelo que sinaliza o prenúncio do que poderá ocorrer nas eleições de 2018 caso o Congresso não sinalize com uma reforma política e eleitoral a altura da expectativa da sociedade brasileira.

A descrença do eleitor transbordou e a insatisfação diante dos inúmeros casos de corrupção aguçou a rejeição a classe política. Aos que alimentavam a ilusão de que o voto estaria assegurado através da gratidão em virtude de uma gestão de grandes realizações, se surpreendeu com uma derrota eleitoral que em outros tempos não ocorreria. Ficou claro que o eleitor não perdoa expectativas não atendidas e comportamentos que firam o padrão de humildade e respeito. Diante do resultado dessas eleições o recado foi dado. Cresce o desinteresse em votar!

Por: Amaury Cardoso, presidente da FUG/RJ.