Longe do Rio de Janeiro e da administração pública há dez meses, Eduardo Paes diz estar com muita saudade da cidade

Longe do Rio de Janeiro e da administração pública há dez meses, Eduardo Paes diz estar com muita saudade da cidade

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Publicado em 21/10/2017, em O Globo.

As hashtags mais usadas este ano por Eduardo Paes nas redes sociais dizem muito sobre o que ele está sentindo em relação à cidade: #tomorrendodesaudadesdorio e #orgulhodesercarioca. Geralmente acompanhadas de fotos ou reportagens relacionadas ao samba — ou com textos sobre algum legado de sua administração—, as publicações viraram uma espécie de diário do ex-prefeito. Longe do Rio e da administração pública há dez meses, Paes anda viajando pelo mundo, seguindo uma rotina de executivo, dividindo-se entre palestras, cursos e consultorias em países das Américas.

Quando se mudou para os Estados Unidos, após passar a administração do Rio para Marcelo Crivella, Paes foi contratado para trabalhar como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). É sua primeira experiência profissional fora da esfera política brasileira.

—Trabalho no BID como consultor do departamento de urbanismo. Meu foco principal tem sido a gestão de regiões metropolitanas, e também venho atuando junto ao departamento de segurança cidadã da instituição, observando experiências bem-sucedidas na América Latina— detalhou o ex-prefeito do Rio.

Paes tem contrato até março do ano que vem com o BID. Foi o presidente da instituição financeira, Luis Alberto Moreno, que o convidou para trabalhar em Washington.

— É algo realmente diferente para mim. Antes de ingressar na política, eu só havia dado expediente como estagiário, trabalhei em dois escritórios de advocacia. Depois, passei a ocupar funções públicas. Tem sido uma experiência bem interessante, de muito aprendizado. Agora sei como é estar do outro lado da mesa. Devo dizer que paga melhor, mas sinto falta do serviço público, de tudo aquilo que sempre fiz — comentou Paes, que preferiu desconversar ao ser questionado sobre uma provável candidatura ao governo do estado em 2018. — Estou focado em meu trabalho aqui, nos Estados Unidos, o que já me consome totalmente. O próximo ano tem que ser tratado em 2018. Tem muito tempo até lá. Só posso admitir que sinto muita saudade do Rio.

Empenhado em manter uma imagem de workaholic, Paes faz questão de compartilhar nas redes sociais sua rotina de trabalho, que inclui muitas viagens. “Esta semana foi em Monterrey, México”, postou no dia 14 de outubro no Instagram. “Hoje conhecendo políticas públicas da cidade de Medellín, na Colômbia. Geografia quase carioca”, escreveu no Twitter em 21 de setembro.

Alguns meses após ser contratado pelo BID, Paes assumiu mais uma função: a de consultor da empresa chinesa BYD, que fabrica caminhões e carros elétricos e tem, entre seus investidores, o bilionário americano Warren Buffett.

— Ele detém 10% da BYD, que é a maior produtora de veículos elétricos do mundo e também fabrica bateria, painel solar e monorail. É grande na China e está crescendo muito nos Estados Unidos. Não sou representante, fui chamado para ser o vice-presidente na América Latina, mas, em razão de meu trabalho no BID, aceitei ser uma espécie de special advisor. Comecei esse trabalho em março. Conheci a empresa quando eu era presidente do C-40 (grupo de grandes cidades globais que promove políticas para o enfrentamento das mudanças climáticas) — contou Paes.

Apesar de o ex-prefeito manifestar empolgação com a vida no exterior, o Rio não sai de sua cabeça — tanto que, dos 38 tuítes e retuítes publicados pelo ex-prefeito este mês, 19 estão relacionados à cidade. Nenhuma de suas postagens apresenta críticas explícitas a Crivella, mas ele tem o costume de reproduzir questionamentos de terceiros à atual administração do município.

— Decidi não tecer comentários sobre a gestão do prefeito Marcelo Crivella por duas razões: meus contratos de trabalho não me permitem fazer manifestações políticas exageradas e entendo que tenho de ser gentil, no sentido de dar tempo para ele definir os rumos de seu governo. Só dou declarações quando sou atacado — afirmou Paes.