Desigual para quem?

Desigual para quem?

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De 2000 para 2010, a cidade registrou uma queda considerável no Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) do Ipea 

Rio – Associar o Rio de Janeiro ao conceito de desigualdade nos dias de hoje requer um mínimo de pesquisa e observação, sob pena de se cair na armadilha do discurso vazio. De 2000 para 2010, a cidade registrou uma queda considerável no Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) do Ipea, que leva em conta 16 indicadores econômicos, sociais e de infraestrutura.

Quem tiver interesse em consultar os dados vai constatar que municípios como São Luís (MA), Belém (PA) e até mesmo São Paulo têm pior desempenho do que o Rio em distribuir condições e serviços básicos — saneamento, transporte público, educação e emprego — entre a população mais desassistida.

Aqui não. Os cariocas que sofreram a desigualdade na pele — a maioria, fora do eixo da Zona Sul — viveram nos últimos dez anos a maior integração urbana e social já promovida, com mais de 70% dos investimentos do município concentrados nas zonas Norte e Oeste. As favelas, antes territórios isolados pela violência, hoje recebem turistas e visitantes de todas as partes da cidade e do estado.

O aluguel subiu, sim. Valorizaram-se os imóveis de quem ganhou transporte na porta, da Penha até Jacarepaguá — segundo estudo do Secovi, o dobro da variação média da cidade. Até 2020, com Linha 4, Transolímpica e Transbrasil, 1,3 milhão de pessoas a mais passarão a morar a até um quilômetro de distância do metrô, BRT, VLT ou trem, somando 57% dos habitantes atendidos. Até concurso gastronômico nacional um bar de uma favela do Rio venceu. Tudo isso era imaginável há dez anos? E não significa promoção de igualdade?

É o povo que responde: pesquisas da Fundação Getúlio Vargas revelam que 75% dos moradores de favelas querem que as UPPs continuem e que mais de 60% dos cariocas estão confiantes no sucesso do Jogos Olímpicos. Mostra que o Rio de Janeiro já se cansou desses profetas do caos que se distanciam da realidade para tentar promover suas narrativas raivosas, rasas e meramente eleitorais. Porque sonhos só se realizam com trabalho. Vamos em frente.