Cinco minutos com Bernardo Rossi: "Vamos fechar as torneiras do desperdício"

Cinco minutos com Bernardo Rossi: "Vamos fechar as torneiras do desperdício"

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rsb_1675Deputado estadual e ex-secretário estadual de Habitação, Bernardo Rossi, 36 anos, acaba de ser eleito no segundo turno prefeito de Petrópolis, na região Serrana do Rio. Ele recebeu 68.420 votos (52,65%) e vai administrar a cidade de 2017 a 2020. Rossi afirmou que irá promover uma ampla reforma na saúde, resolver problemas estruturais no município, como o déficit habitacional, que hoje gira em torno de 12 mil moradias, e mudar para melhor a gestão dos gastos públicos.

1) Quais serão as prioridades do mandato?

Vamos criar dois grupos de trabalho na prefeitura: um para colocar a Casa em ordem e outro para captação de verbas e programas de médio e longo prazos. Hoje em Petrópolis está faltando o básico. Não há médicos nos postos, remédios, coleta de lixo e merenda nas escolas. Os primeiros dias serão dedicados a colocar a cidade para funcionar. Faremos um levantamento criteriosos dos prédios escolares e postos de saúde para iniciar reparos e reformas, garantindo distribuição de remédios, médicos nos PSFs, e agilizando consultas, exames e cirurgias. Paralelamente a este trabalho, cuidaremos do planejamento dos investimentos que faremos em cada uma dessas áreas.

2) Como pretende aumentar a geração de emprego e renda no município?

Vamos apoiar as empresas já instaladas na expansão e consolidação de seus negócios e estimular a ocupação dos galpões abandonados e das áreas às margens da BR-040, atraindo novas empresas. Outras propostas são: colocar o distrito industrial da Posse para funcionar e projetar a Rua Teresa, símbolo da nossa economia, para fora do estado do Rio. Tudo isso, acompanhado de investimentos em infraestrutura. É importante estabelecer um diálogo com o Governo Federal para conquistarmos recursos e programas que possam ser aplicados em todas as áreas da cidade. Vamos retomar o programa de mobilidade urbana, já que nossa cidade perdeu R$ 50 milhões para melhorias nesta área porque a prefeitura não apresentou projetos. E propor aos deputados federais e estaduais que apresentem emendas que tragam mais recursos para Petrópolis.

3) Muitos moradores de Petrópolis perderam seus imóveis com a tragédia natural de 2011. Como resolver a questão habitacional?

Há petropolitanos que aguardam uma unidade habitacional desde a enchente de 1988, que matou 134 pessoas e deixou 3.614 desabrigados. Depois disso, outras enchentes vieram e promoveram mais estragos e mortes. Em 2002, a prefeitura criou o aluguel social para atender de forma emergencial até que as unidades fossem construídas. Novas tragédias se sucederam aumentando o número de famílias em aluguel social sem a contrapartida de uma política habitacional. Em 2011 depois da tragédia que deixou 73 mortos, por falta de recursos da prefeitura, o Estado assumiu parte do aluguel social e cedeu terrenos à prefeitura para a construção de 1.600 casas, projetos que não foram levados adiante. Uma nova tragédia foi registrada em 2013, com 33 mortos e centenas de desabrigados. O déficit hoje é de 12 mil casas, com 40 mil pessoas residindo em áreas de risco. Nosso plano de governo contempla uma política habitacional de regularização fundiária aliada à construção de moradias, recuperação de áreas degradadas e preservação das encostas e fiscalização, porque é preciso frear a ocupação desordenada.

4) De que maneira pretender melhorar a saúde pública municipal?

O gasto anual com a saúde em Petrópolis é de R$ 300 milhões, mas falta uma boa gestão desses recursos. A cidade passou dois anos recebendo verbas federais para as UPAs, mas a prefeitura deixou de investir os R$ 21,5 milhões que ficaram parados na conta. Isso é exemplo de má gestão que, aliada à falta de investimentos, deixou metade da população sem atendimento do programa Saúde da Família. Com uma gestão eficiente é possível aumentar número de vagas nos hospitais, ampliar os leitos de UTI, assegurar consultas e exames e fornecer medicamentos nas farmácias da rede pública. A saúde é nossa prioridade. Além da ampliação dos PSFs, vamos quitar a dívida de R$ 10 milhões com o Hospital Santa Teresa para garantir a continuidade do atendimento pelo SUS, reabrir a emergência e ampliar o Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Alcides Carneiro (HAC), e implantar um centro de imagem no Hospital Nelson de Sá Earp, acabando com as filas nos postos, criando mais vagas de internação, realizando mais cirurgias e melhorando a distribuição de remédios.

5) Nesse período de crise, como atrair investimentos e aumentar a arrecadação?

Vamos fechar as torneiras do desperdício, fazer os gastos diminuírem e adotar um novo modelo de gestão, eficiente e econômico. Vamos reduzir cargos em comissão e privilegiar o funcionário de carreira. Petrópolis tem um orçamento de quase R$ 1 bilhão anual e fica claro que nosso problema é de gestão. A meta é gerir as contas públicas com competência garantindo o básico: saúde, educação, transporte e habitação. Com a casa arrumada, vamos executar projetos que mudem nossa cidade a curto prazo e que ajudem a garantir um futuro melhor para todos os petropolitanos.