Café com política abre roda de debates no MDB-RJ com auditório lotado

Café com política abre roda de debates no MDB-RJ com auditório lotado

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Promovido pela FUG-RJ, a sexta edição do projeto reuniu mais de 100 pessoas na sexta-feira (02/02) para a palestra do cientista político e empresário Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Mais de 100 pessoas lotaram o auditório da sede do MDB-RJ, no Centro do Rio de Janeiro, na noite de sexta-feira (02/02) para a palestra “Por que o Brasil é um País do atraso?” do empresário, ativista político e membro da família imperial, Luiz Philippe de Orleans e Bragança. O encontro, promovido pela Fundação Ulysses Guimarães (FUG-RJ), e intermediado pelo presidente da fundação no RJ, Amaury Cardoso, e pela jovem Juliene Cabral Salviano, faz parte do projeto Café com Política, que está em sua sexta edição.

Baseado no livro de estreia do autor, o debate levantou questões como a elaboração de uma nova Constituição, reformas política e de Estado, sistema de voto distrital majoritário com recall de mandato e transparência tributária, bem como a mobilização na defesa da soberania e da cidadania.

” Não vejo atualmente nenhum dos postulantes ao Governo falar em reforma de Estado. Há muita concentração de poder nas mãos do presidente, as comunidades não mandam nada e os municípios estão desprovidos e sendo roubados juridicamente”, afirmou o palestrante, que defende referendos populares como limitador de leis e mais transparência de impostos por bairros e cidades.

Para Luiz Philippe, os poderes constituídos hoje não representam a sociedade brasileira. Ele compara o modelo de centralização de poder a uma espécie de ditadura. Em sua opinião, as Constituições interventores geram instabilidade. E os ajustes e rupturas frequentes, aumentam o risco financeiro, a corrupção, e o fortalecimento das oligarquias políticas que controlam a economia.

“No Brasil temos uma base interventora, não temos liberalismo nem keynesianismo*”, disse, referindo-se à teoria econômica do começo do século XX, baseada nas ideias do economista inglês John Maynard Keines, que defendia a ação do estado na economia com o objetivo atingir o pleno emprego*. Luiz também citou países como Japão, Alemanha e Suíça, que no passado tinham constituições interventoras e mudaram, promoveram reformas.

Ele também questionou os investimentos no Brasil em infraestrutura vindos de fora, como da China, por exemplo, e não do poder central. “Quem deveria investir em infraestrutura é sempre o governo central, com conceito desenvolvimentista. Esses investimentos geram bem estar social. Hoje temos vastos recursos naturais subutilizados e uma grande força de trabalho”, afirma.

Questionado sobre qual mudança seria possível de ser feita no Brasil, ele responde: “se esse arranjo de Casa não acomodar descentralização de poder, não haverá avanço”. E sugere mais um poder, talvez de chefe de estado, separadamente do Executivo, que tenha o comando da Justiça e forças de Ordem Pública e de Segurança, “Assim, poderíamos ter alguma chance de melhora. Mudança de regime não afeta mudança de Constituição”. Para ele, uma nova Constituição já deveria estar pronta e partidos como MDB poderiam liderar isso. “Tem que ser escrita por poucos e depois colocada a voto popular”.

SOBRE O PALESTRANTE
Empresário, ativista político e acadêmico, Luiz Philippe de Orleans e Bragança é formado em administração de empresas pela FAAP, em 1991. Descendente da família real portuguesa, Fez mestrado em Ciências Políticas pela Stanford University, nos EUA, e MBA pela INSEAD, na França. Trabalhou na área de planejamento financeiro da Compagnie de Saint-Gobain (EUA) e nos bancos especializados JP Morgan, em Londres, e Lazard Frères, em Nova York. Também atuou como diretor de desenvolvimento de negócios da AOL para a América Latina.

Em 2015, foi cofundador do Movimento Liberal Acorda Brasil. Como ativista político, articulou propostas de reforma política para o sistema de voto distrital com recall de mandato e projeto de lei de transparência tributaria, bem como de mobilização na defesa da soberania e da cidadania.