5 minutos com o novo presidente do PMDB Afro-RJ

5 minutos com o novo presidente do PMDB Afro-RJ

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nayt2A composição da Comissão Executiva Estadual do PMDB Afrodescendente foi  homologada pela presidência do PMDB-RJ, no último dia 07/03. Novo presidente do núcleo, Nayt Junior diz que pretende lutar por políticas públicas voltadas às questões étnico-raciais negras. Segue entrevista com ele:

Homologada agora a executiva estadual do PMDB Afrobrasileiro do Rio de Janeiro, como novo presidente do núcleo quais as principais ações a serem colocadas em prática neste ano de 2016?

Estamos organizando o PMDB Afro onde ele não existe e reestruturando nos locais onde já está estabelecido. Nosso núcleo será ferramenta para ajudar nas campanhas das prefeituras, focando na capital. Já conversamos com Pedro Paulo e estamos coordenando a pré-campanha em políticas étnico-raciais negras.

Já há um calendário de atividades a ser implementado pelo PMDB-RJ Afro?   

 Já sim. O núcleo tem atividades agendadas até dezembro. Entre elas, destacam-se as sessões de filmes exibidas pelo Cine Clube Milton Nascimento, onde os filmes são sempre com atores principais negros ou com temática étnico-racial negra; o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que foi instituído pelas Nações Unidas e é comemorado no dia 25 de julho. Nesse dia haverá um seminário com mulheres negras de expressão contando sua trajetória. Em junho, haverá um evento sobre mídia e racismo, que debaterá a inserção do negro no mundo da mídia e como ela nos inviabiliza.Em agosto, o Núcleo pretende fazer atividades voltadas a discussão do genocídio da juventude negra, porque mais de 42% das mortes violentas no Brasil são de jovens negros. Esse evento deverá acontecer no dia 8, em comemoração ao Dia Mundial da Juventude.

O PMDB-RJ Afro encaminhou à Secretaria Municipal de Governo, no mês passado, uma pauta com temas relevantes a respeito da questão racial. O que exatamente o núcleo propõe debater?    

Na cidade do Rio, 61% da população se autodeclara negra nas pesquisas do IBGE. A  Lei 10.639/03 torna obrigatório o estudo sobre a cultura e história afro- brasileira e africana nas instituições públicas e privadas de ensino, mas  tem que ser posta em prática de maneira ostensiva. Além disso, pretendemos lutar para que a capoeira seja incluída na prática de educação física nas escolas. Outra questão é a inserção de políticas públicas étnicas para terreiros de candomblé. A nossa proposta é que as leis e políticas nessa área possam ser colocadas em prática no nosso município, pois elas são reparatórias;  começarão a diminuir a distância social  entre negros e não-negros.

À frente do PMDB-RJ Afro, você está assumindo também a coordenação da pré-campanha do secretário Pedro Paulo na área étnico-racial negra. Como se dará esse trabalho?

A nossa missão na coordenação da pré-campanha do Pedro Paulo é garantir e dar voz às políticas étnico-raciais na cidade do Rio de Janeiro.  Em razão disso, propusemos ao Pedro Paulo, por exemplo, que pactuasse com a Política Nacional de Saúde da População Negra, visto que existem doenças que incidem predominantemente na população negra devido  à características de ordem genética.

Na sua avaliação, o que precisa melhorar no país em termos de políticas públicas voltadas à questão racial? 

O marco legal nos contempla. O que falta é a prática daquilo que já foi discutido e validado. O PMDB é um ator importantíssimo nessa questão, pois é o maior partido da América Latina. Ninguém consegue transformação sem poder e a partir da força do PMDB nós esperamos sistematizar e empregar tudo o que precisamos.