5 minutos com Dr. Aluízio: ‘Se reativarmos de 10 a 15 campos maduros de petróleo, serão 30 mil empregos’

5 minutos com Dr. Aluízio: ‘Se reativarmos de 10 a 15 campos maduros de petróleo, serão 30 mil empregos’

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1_20160322_aluizio_santos_junior_002___foto_rui_porto_filho-610197Preocupado com a situação econômica do estado do Rio, especialmente da região Norte, mais afetada pela queda nas atividades do setor de óleo e gás, o prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos Junior, Dr. Aluízio, vê no pós-sal a saída para a crise. Ele aposta na revitalização da Bacia de Campos com a abertura da exploração dos campos maduros de petróleo às prestadoras de serviços da Petrobras. Para isso, tem mobilizado a classe política e recentemente esteve em Brasília com o presidente da Câmara Federal,  deputado Rodrigo Maia, e com secretário geral da Presidência, Moreira Franco. A ideia foi sensibilizar os deputados de que a reativação dos campos existentes pode criar novas oportunidades de negócios e gerar empregos. Nesta entrevista, concedida ao Canal Viu, ele destaca a situação do município, detalha a necessidade de atrair novos parceiros com compartilhamento de riscos nos campos maduros para voltar a gerar empregos a curto prazo.  “Não podemos ficar aguardando até 2020, 2021. Percebo o sofrimento da população”, justifica.

1- Recentemente a Petrobras anunciou a reinstalação de quatro sondas na Bacia de Campos. Além dessa iniciativa, o senhor vê alguma medida que possa impulsionar a produção de petróleo nos campos maduros?

Esse amadurecimento dos poços é programado técnica e cientificamente. É uma verdade geológica. Ao longo de 40 anos de atividade na Bacia de Campos, os avanços tecnológicos proporcionaram ao Brasil inteiro a oportunidade de conhecermos o pré-sal, que se tornou nossa grande descoberta nos últimos 20 anos no contexto internacional. Essa descoberta fez com que a Petrobras diminuísse seu investimento na Bacia de Campos, onde os campos já produziram muito e agora são mais custosos e menos rentáveis, para participar dos novos leilões do pré-sal. Porém, os campos maduros ainda interessam muito à indústria do petróleo, em especial àquelas pequenas operadoras que hoje são prestadoras de serviço da companhia. Essas 50 grandes empresas estão aqui em Macaé, e a presença delas aqui faz com que essa nova operação seja muito barata. Em 2012, havia mais ou menos 100 sondas, ou seja, 100 plataformas. Hoje, em 2017, são 16 sondas. Com mais quatro anunciadas pela Petrobras, serão 20. Portanto, existe um déficit, comparado a 2012, de 80 sondas. Se reativarmos mais 10 ou 15 nesses campos maduros, serão 30 mil empregos. É um processo sinérgico, em que o risco é compartilhado. Será bom para todo mundo: o investimento gera emprego, receita, tributos e é o único passo efetivo no momento, capaz de que tirar essa região e todo o Rio de Janeiro da crise.

2- O senhor esteve em Brasília para tentar convencer os deputados do estado do Rio sobre a importância desse investimento. Na feira Brasil Offshore, vários prefeitos lhe deram apoio. A decisão de a Petrobras investir nas quatro plataformas será uma decisão só política ou tem respaldo técnico?

Esse viés técnico da Petrobras já foi sinalizado pela própria empresa em seu plano de investimentos. Ela já identificou a necessidade de ter novos parceiros com compartilhamento de risco nos campos maduros. Então, esse tripé – campo maduro, novos parceiros e compartilhar risco – já faz parte do cotidiano da empresa. Queremos capitalizar esse processo porque ele é a única forma de trazer empregos novamente. Hoje vivemos num país em que a economia se distancia do processo político por isso as ações têm que ter embasamento técnico e jurídico para seguirem adiante.

3- O senhor aposta na exploração dos campos maduros já para 2018?

 Não podemos ficar aguardando até 2020 ou 2021 para promover a geração de empregos. Quando falo isso, não é uma retórica, percebo o sofrimento da população. Por que não aproveitar a oportunidade de empregar no contrato de risco, em que há uma sinergia? Onde está o entrave? A Petrobras não corre risco porque os campos são maduros, e ela não está mais investindo. Em alguns momentos, ela até já causou danos, como foi o caso do vazamento na P-35. Esse vazamento é consequência da falta de investimentos em manutenção e segurança no trabalho. Agora o investimento pode vir pelas mãos de terceiros, que operam a um custos menores e dividem o bônus. Por que não fazer?

4- Qual expectativa de empregos se o investimento começar em 2018?

A cada sonda ou plataforma, serão mil empregos diretos e outros mil indiretos. Vamos supor que tivéssemos 100 sondas como tínhamos em 2012, quando estávamos com 200 mil empregos. Hoje temos 16 sondas, com 32 mil empregos. Se conseguirmos instalar mais dez sondas nesses campos, estamos falando de mais 20 ou 30 mil empregos. O emprego do petróleo tem um valor per capita significativo, mais do que em outros segmentos da economia. Então, é um salário muito bem distribuído. Se você tem um remédio, vai negá-lo ao seu doente?

5- Macaé atravessa uma crise econômica grave, mas não uma crise social. O município manteve alguns programas sociais, como passagem de ônibus subsidiada a R$ 1 e o restaurante popular. A não retomada dos investimentos nos campos maduros poderia, num plano futuro ou a curtíssimo prazo, comprometer essas política social?

O município é um simples “distribuidor”. Ele arrecada o que a população produz. Quando há menos emprego, o município arrecada menos e gera uma demanda maior para o serviço público. Macaé vem atravessando esse cenário e conseguindo equacionar a demanda social e econômica. O fundamental é que a passagem de ônibus a R$ 1 é um elemento de competitividade. Você imagina hoje um trabalhador desempregado pagando R$ 3? Com o valor a R$ 1, ele economiza R$ 4 por dia na passagem de ida e volta. Isso é injeção diária na economia regional. Então, esse programa é uma distribuição de receitas e renda inusitada porque é democrática. O restaurante a R$ 1 beneficia quem não tem dinheiro para se alimentar. São dois programas sociais que temos um enorme carinho.

Fonte: Canal Viu.